Não sei se por efeito do meu nome Paulo, ou porque só fui crescer quase que no fim do primeiro ano da faculdade, mas sempre me senti um homem pequeno.
Mesmo não lembrando a última vez que passei por qualquer situação constrangedora (ou não) que evidenciasse minha estatura, como aquelas malditas filas no colégio por ordem de altura, eu ainda me sinto pequeno.
Talvez seja porque ainda sou magro.
A vida é difícil com todo mundo. Mas eu sou bom candidato para quem quiser ouvir o que ser baixo e magro por tanto tempo pode fazer com a personalidade de um garoto.
Ouvir coisas como “Você é mais bonito que fulano. Mas te falta confiança.” Como eu sonhei em ter essa tal confiança. E como conselhos, mesmo na melhor das intenções, são tão diluídos na realidade da vida.
Mas hoje, minha filha, de duas semanas de vida, dormiu de barriga para baixo sobre meu peito esquerdo, meu gato se acomodou sobre minhas pernas e, depois do banho dela, minha esposa deitou-se sobre meu peito direito. Senti-me um gigante.
João tem 1,75m.
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