Por volta de 2013, eu criei um blog protegido por senha para postar textos, ilustrações e fotografias que me representavam honestamente. Lá eu escrevi todos os meus defeitos e o quê eu acho deles; opinava matérias, letras de músicas e tirinhas.
A única coisa que realmente prestava e me marcou naquele blog foi eu ter criado um texto autobiográfico. Eu começava dizendo:
Tenho 21 anos e nunca fui à guerra…
Nele, eu falava de todas coisas que eu não havia feito. Dos amores que não havia vivido, das comidas que não experimentei, dos amigos que eu não mantive; falava também sobre o que eu acreditava e como, no final das contas, eu faria tudo de novo, porque aquilo tudo havia me levado a ser quem eu era.
Típica iluminação espiritual de um jovem de 21 anos.
No ano seguinte, com 22 anos, eu copiei todo o texto, alterei minha idade, e fui riscando todas as coisas que já não eram mais verdade. Aos 24, era um texto todo riscado. Aos 25, eu percebi que nem a parte que dizia que “faria tudo novamente” era verdade.
A vida é passageira. A morte se aproxima, rápida. E provavelmente, o sentido da vida seja a perpetuação da espécie. Um ciclo químico perene, até o minguar do universo.
Nada que vou escrever daqui para a frente é realmente importante. Continue lendo por responsabilidade própria.
João tem um plano.
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