Houve uma época, quando eu era adolescente, que minha família descobriu que a Remmar, uma padaria da minha cidade fazia excelentes pizzas.
Virou nossa pizzaria favorita, e um ou dois domingos por mês, depois do culto, costumávamos ir até lá para comer.
Um dia, no meio de toda aquela conversa entre os pais e amigos, mesas de plástico e Daniel, provavelmente, implicando com alguém, eu disse ao meu irmão mais novo, Guilherme, que não importava o que ele fizesse, ele nunca lembraria daquele dia.
Isso, porque eu não lembrava de nada de quando eu tinha a idade dele. Guilherme ficou revoltado, talvez ofendido com tal proposta. Então, disparou em tentar provar que conseguiria.
“Não, você não vai lembrar.”
“Vou!”
“Então, tá”, me inclinei sobre a mesa e continuei em um tom quase autoritário, com o dedo apontando para ele, “você vai guardar este momento na sua memória! E, algum dia, no futuro, eu vou te cobrar de lembrar”.
Apertamos as mãos e, sinceramente, não lembro muito do que aconteceu depois, naquela noite.
Mas, muitos anos depois, ambos já adultos, estávamos reunidos em algum lugar. A memória daquele dia na pizzaria voltou num estalo. Era agora.
“Guiga!”
“O que foi?”
“Lembra?”
Com o rosto confuso ele só conseguiu balbuciar, “lembra?”. Cada segundo que gastamos tentando resolver uma charada como essa, valem por mil. A mente acelera e, mesmo que para ele deva ter demorado um pouco. Para mim, do nada, vejo seu rosto brilhar!
João é irmão mais velho.
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