Lembrança

Essa semana eu lembrei de uma coisa.

Depois de passar por um prédio em estilo neoclássico, no Jardim Paulistano, lembrei da sensação de ter todo um prédio, com várias pessoas trabalhando para mim nele.

Não acredito em vidas passadas, então não deve ser algo assim.

Gostaria que fosse uma habilidade preditiva inata, me mostrando meu futuro e que eu devo ficar tranquilo em relação à ele.

Mas temo que seja uma imaginação muito fértil, fatigada e pouco exercitada.

As coisas não vão bem no trabalho. Sinto-me insuficiente metade do tempo. A outra metade, sinto estar sendo sabotado, para me fazer sentir ainda pior.

A única vez que tive a energia tão baixa foi quando estava deprimido por ter falido pela primeira vez.

Mas esse vislumbre imaginativo me acendeu uma fagulha de esperança. Bem pouca esperança. A fagulha não conseguiria iluminar nada na escuridão completa do que tenho passado. Mas senti um pouco do seu calor.

Senti que seria apenas questão de trabalhar mais. De novo, mais do que todos à minha volta. Porque gente da minha casta, se parar, cai no chão novamente.

Que seria como foi um dia, quando dei a volta por cima e, em pouco tempo, ganhava dez vezes o que deixei para trás.

Espero que tudo isso passe. Que eu olhe, em breve, da janela do meu próprio prédio. Roupa social, relógio no pulso, mão no bolso, possivelmente estressado com algo, mas feliz e relaxado em relação ao futuro.

João tem uma fagulha fraca de esperança.